Rescisão Com Justa Causa: O Que Você Recebe em 2026
Por Equipe editorial CalculaBr · Revisado em outubro de 2026 conforme a CLT · Como produzimos nosso conteúdo
A justa causa é a forma mais severa de encerrar o contrato e só pode ser aplicada quando o empregado comete uma das faltas graves do art. 482 da CLT. Nessa modalidade, o trabalhador recebe apenas o saldo de salário, as férias vencidas com 1/3 e o salário-família, se houver.
Entenda em detalhes
O art. 482 da CLT lista as faltas que autorizam a justa causa, como improbidade, desídia, embriaguez em serviço, indisciplina, insubordinação e abandono de emprego. A Justiça do Trabalho também exige requisitos que não estão escritos na lei: a punição deve ser imediata, proporcional à falta e não pode punir duas vezes o mesmo fato. O ônus de provar a falta é do empregador (art. 818, II, da CLT).
As verbas devidas são poucas. O saldo de salário é pago porque corresponde a dias já trabalhados. As férias vencidas com 1/3 também, porque o art. 146 da CLT garante a remuneração das férias já adquiridas seja qual for a causa da rescisão. Se o empregado recebia salário-família, a cota proporcional do mês também entra no TRCT.
Ficam de fora as férias proporcionais (art. 146, parágrafo único, e Súmula 171 do TST) e o 13º proporcional, porque o art. 3º da Lei 4.090/62 só garante a gratificação proporcional na rescisão sem justa causa. Também não há aviso prévio, multa de 40% do FGTS nem guias do seguro-desemprego, que a Lei 7.998/90 reserva a quem foi dispensado sem justa causa.
Se havia férias vencidas cujo período concessivo já terminou, elas são pagas em dobro mesmo na justa causa (art. 137 da CLT). A punição não apaga um direito que já tinha sido descumprido pela empresa antes da falta. Por isso, vale conferir as datas de cada período aquisitivo no TRCT.
O FGTS depositado continua na conta vinculada, mas a justa causa não libera o saque. O dinheiro pode ser retirado em outras situações do art. 20 da Lei 8.036/90, como aposentadoria, compra da casa própria, saque-aniversário ou quando a conta fica três anos sem depósitos. O prazo de 10 dias corridos para o pagamento das verbas (art. 477, §6º) vale também aqui.
No abandono de emprego, a Súmula 32 do TST presume o abandono quando o empregado não retorna em até 30 dias após o fim do benefício previdenciário. Na prática, a empresa deve convocar o trabalhador por escrito antes de aplicar a pena. Em faltas leves e repetidas, como atrasos, o caminho correto costuma ser advertência, depois suspensão e só então a dispensa.
Quem discorda da justa causa pode ajuizar reclamação trabalhista em até 2 anos após o fim do contrato (art. 7º, XXIX, da Constituição). Se a pena for revertida, a dispensa passa a ser sem justa causa e o trabalhador recebe aviso, 13º e férias proporcionais, multa de 40% e o saque do FGTS, além da indenização pelo seguro-desemprego não recebido. Assinar o TRCT comprova o recebimento dos valores, não a concordância com o motivo.
Exemplo prático
Carlos foi admitido em 01/02/2024 e dispensado por justa causa em 10/04/2026. Salário de R$ 2.100. Ele já tinha gozado as férias de 2024/2025, e o período 2025/2026 foi completado em 31/01/2026 sem gozo (ainda dentro do prazo, por isso pago de forma simples).
Total bruto: R$ 3.500,00 (com desconto de R$ 52,50 de INSS sobre o saldo de salário)
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Perguntas frequentes
Por que o 13º proporcional não é pago na justa causa?
A empresa precisa informar por escrito o motivo da justa causa?
Uma falta injustificada já pode virar justa causa?
O que eu recebo se conseguir reverter a justa causa na Justiça?
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