Rescisão com Férias Vencidas: Como Calcular em 2026
Por Equipe editorial CalculaBr · Revisado em outubro de 2026 conforme a CLT · Como produzimos nosso conteúdo
Férias vencidas são períodos aquisitivos completos que o empregado não chegou a gozar. Na rescisão, elas viram indenização com 1/3 em qualquer modalidade de saída, e podem ser pagas em dobro se a empresa perdeu o prazo de concessão.
Entenda em detalhes
Cada 12 meses de contrato formam um período aquisitivo (art. 130 da CLT), e a empresa tem os 12 meses seguintes, o período concessivo, para conceder as férias (art. 134). Se o contrato termina com um período completo sem gozo, essas férias são pagas como indenização (art. 146), inclusive na justa causa e no pedido de demissão.
A dobra depende do prazo. Pelo art. 137 da CLT, quando o período concessivo termina sem que as férias tenham sido concedidas, a remuneração é paga em dobro. No exemplo, as férias de 2023/2024 tinham de ser concedidas até 31/08/2025 e não foram, por isso valem (R$ 3.000 + R$ 1.000) × 2 = R$ 8.000. Já as de 2024/2025 ainda estavam no prazo, que vai até 31/08/2026, e são pagas de forma simples.
Se o empregado gozou só parte das férias depois do prazo, apenas os dias gozados fora do período concessivo são pagos em dobro (Súmula 81 do TST). Outra mudança importante: desde 2022, o STF (ADPF 501) derrubou a Súmula 450 do TST, e o simples atraso no pagamento de férias gozadas no prazo não gera mais a dobra automática.
A quantidade de dias pode ser menor que 30. Pelo art. 130, até 5 faltas injustificadas no período garantem 30 dias; de 6 a 14 faltas, 24 dias; de 15 a 23, 18 dias; de 24 a 32, 12 dias; acima disso, o direito se perde. O art. 133 prevê outras perdas, como licença remunerada por mais de 30 dias ou afastamento pelo INSS por mais de 6 meses no período.
O valor usa a remuneração da data da rescisão (Súmula 7 do TST), com médias de horas extras, adicionais e comissões habituais (art. 142). O 1/3 constitucional incide sobre todas as férias, vencidas, proporcionais e em dobro (Súmula 328 do TST).
Férias indenizadas, simples ou em dobro, e o 1/3 não sofrem INSS (art. 28, §9º, d, da Lei 8.212/91) nem Imposto de Renda, conforme as Súmulas 125 e 386 do STJ. Também não há FGTS sobre elas (OJ 195 da SDI-1 do TST). Por isso, no exemplo, os R$ 15.333,33 de férias chegam sem nenhum desconto.
Na hora de conferir o TRCT, compare as datas de cada período aquisitivo com a data de término do respectivo concessivo. Um erro frequente é pagar a dobra só sobre o salário, sem dobrar o 1/3; outro é tratar como simples um período cujo prazo já venceu. Se você tiver o recibo de férias de anos anteriores, use-o para provar quais períodos foram gozados.
Exemplo prático
Trabalhador admitido em 01/09/2023, dispensado sem justa causa em 15/05/2026, com aviso indenizado de 36 dias (saída projetada em 20/06/2026). Salário de R$ 3.000 e FGTS de R$ 8.900. Ele nunca gozou férias: o período 2023/2024 teve o prazo de concessão vencido em 31/08/2025; o de 2024/2025 ainda estava no prazo.
Total bruto: R$ 25.493,33 (só saldo e 13º sofrem INSS)
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Perguntas frequentes
Como saber se minhas férias vencidas devem ser pagas em dobro?
Férias vencidas pagas na rescisão têm desconto de INSS ou de IR?
Gozei só uma parte das férias depois do prazo. O que é pago em dobro?
A empresa atrasou o pagamento das minhas férias. Tenho direito à dobra?
Faltas reduzem as férias vencidas?
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